Nosso dinheiro

O Legislativo estadual manda dizer, sobre nota aqui, ontem, que a destinação de R$ 10 milhões para o Executivo atender demandas surgidas com o ciclone “não se trata de proselitismo ou qualquer outro interesse; foi a forma encontrada para que o Parlamento pudesse contribuir com o Executivo nas iniciativas que visem superar mais esta crise que atinge todos os catarinenses. Os parlamentares estaduais, liderados pelo presidente Júlio Garcia, acreditam firmemente que é hora de unir todos os esforços para que possamos vencer mais este desafio. Funciona mais ou menos como uma devolução antecipada do duodécimo, mas com objetivo específico, assim como foi feito com os R$ 20 milhões doados para o combate ao covid”. Diz mais: “Os recursos do duodécimo, estabelecidos em lei, são para utilização do Legislativo;  por isso, quando há esse tipo de repasse ao Executivo, é considerado doação”. Que sejam bem aplicados é o mínimo que se espera.

Ducha fria

Os vários e dedicados integrantes do Comitê Interinstitucional de Acompanhamento da Covid-19 em SC, que tem a respeitada liderança do presidente do Poder Judiciário, desembargador Ricardo Roesler, reuniram-se, anteontem, para analisar cuidadosamente, durante horas, vários painéis com dados recentes e projeções que dizem respeito à curva de contágio da doença e à taxa de ocupação dos leitos de UTI no Estado. Certamente não esperavam que no dia seguinte, ontem, o presidente Jair Bolsonaro viesse com uma ducha gelada ao sancionar  lei federal que obriga o uso de máscaras em espaços públicos, mas com veto em templos religiosos, estabelecimentos comerciais e industriais, órgãos e entidades públicos e quaisquer locais fechados que haja reunião de pessoas. Cá entre nós: precisava isso?

Caixa preta

Como se sabe, muitos dos contestados benefícios fiscais concedidos pelo governo de SC são mantidos em segredo (até o Tribunal de Contas reclama disso), mas algo sempre escapa. Vazou, e interessaria muito ao contribuinte saber, qual o motivo que leva uma grande rede de supermercados do Estado ser beneficiada com R$ 22 milhões de isenção de ICMS por mês.

Coincidência

Duas tragédias ao mesmo tempo (e para não relembrar), registradas na fatídica terça-feira desta semana: o ciclone extratropical e o maior número de mortes em um dia desde o início da pandemia (17),  além de 1,2 mil novos casos.

Compulsão

Um leitor deste espaço há anos, que é também arguto observador da curiosa cena social de Criciúma, testemunhou a operação “Blackout”, quinta-feira, com várias prisões por crimes contra a administração pública, especialmente peculato e atos de improbidade administrativa, envolvendo conhecidos agentes públicos locais. Os alvos, como em vários outros casos, tem  um detalhe em comum: a desenfreada compulsão de exibir publicamente o faturado nos crimes, como carrões, mulheres que passariam por suas netas, festas, viagens e itens de luxo, como roupas de grife, joias e relógios de ouro (Rolex, evidentemente). A casa caiu. E outras virão atrás.

Em casa

A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, está fechada  em casa, em Brasília, desde quinta-feira, mas trabalhando e nervosa à espera do resultado do exame para covid-19. É que no último final de semana esteve em SC e com o governador Carlos Moisés, que testou positivo para a doença.

Literatura

O escritor lageano Cristovão Tezza lança terça-feira, pela editora Todavia, seu novo título literário: “A tensão superficial do tempo”, que ontem ganhou imensos destaques na grande mídia impressa, especialmente “O Globo” e “Folha de S. Paulo”. Ambientada e situada em Curitiba, onde o autor vive, a trama apresenta uma profunda desilusão com o Brasil.

É golpe

Em audiência pública com deputados e senadores, anteontem, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Glademir Aroldi, defendeu ardorosamente a prorrogação do mandato dos atuais prefeitos. Ao final foi contentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) com duas frases curtas e grossas: “Prorrogar o mandato dos atuais prefeitos é golpe. Passe a ajudar, a contribuir”, apelou.

A mesma

A ministra “suprema” Rosa Weber, que negou liminar a um jovem acusado de furtar dois xampus de R$ 10, é a mesma que deu voto decisivo para o fim da prisão para condenados em segunda instância, o que ajudou a libertar a bandidagem graúda no país.

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