A Reserva Biológica Estadual da Canela Preta completou 46 anos no último sábado, 20, consolidando-se como uma das mais importantes áreas protegidas da Mata Atlântica catarinense. Administrada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), a unidade de conservação está localizada entre Botuverá e Nova Trento e desempenha papel fundamental na preservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos ecossistemas naturais do estado.
Criada em 1980, a reserva possui aproximadamente 1.899 hectares de área protegida e recebeu seu nome em homenagem à canela-preta (Ocotea catharinensis), espécie símbolo da Mata Atlântica e considerada ameaçada de extinção. Ao longo de mais de quatro décadas, a unidade tem contribuído para a conservação de importantes remanescentes florestais e para a proteção de inúmeras espécies da fauna e da flora catarinense.
A riqueza biológica da reserva é evidenciada por diversos estudos científicos realizados na área. Levantamentos já registraram mais de 170 espécies de aves, incluindo raras e ameaçadas, além de uma grande diversidade de árvores, bromélias, orquídeas e palmito-juçara. Em alguns trechos da floresta foram identificadas mais de 70 espécies arbóreas por hectare, demonstrando a elevada diversidade vegetal presente na unidade.

Felinos – Entre os resultados mais relevantes dos programas de monitoramento está o registro de uma comunidade completa de felinos silvestres. Por meio de armadilhas fotográficas, pesquisadores identificaram a presença de cinco espécies na reserva: jaguatirica (Leopardus pardalis), gato-maracajá (Leopardus wiedii), jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi), puma (Puma concolor) e gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus). A ocorrência simultânea dessas espécies reforça a importância da área para a conservação dos mamíferos de médio e grande porte da Mata Atlântica.
Além da proteção da biodiversidade, a reserva exerce papel estratégico na conservação dos recursos hídricos. A unidade abriga nascentes e cursos d’água que contribuem para as bacias hidrográficas dos rios Itajaí-Açu e Tijucas, prestando importantes serviços ambientais e beneficiando as comunidades da região.
Pesquisas desenvolvidas no entorno da unidade também apontam uma crescente valorização das práticas sustentáveis por parte das comunidades locais, evidenciando a importância da reserva não apenas para a conservação ambiental, mas também como referência para iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à conexão das pessoas com a natureza.
Por se tratar de uma reserva biológica, categoria de proteção integral prevista pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o acesso público é restrito. A visitação é permitida apenas para atividades de pesquisa científica e ações previamente autorizadas de manejo e monitoramento ambiental.





