Descendentes de imigrantes tiroleses que que chegaram ao distrito Alferes, da colônia Brusque, em 1875, os escritores Saulo Adami, Juliano Martins Mazzola e o padre Flávio Feler são os autores do mais novo livro sobre Nova Trento. “Nova Trento – Crônica Histórica e Afetiva” (526 páginas, R$ 120) é uma publicação da editora paranaense Estrada de Papel, dirigida por Saulo Adami e sua mulher, a psicóloga Jeanine Wandratsch Adami.

O livro será lançado no próximo sábado, dia 1º, às 20 horas, no Salão Paroquial São Virgílio, e os autores irão falar sobre seu trabalho de resgate das memórias local e regional. “Participar desta monumental obra sobre a história de Nova Trento junto com Adami e Mazzola foi uma graça. Da minha parte, destaco a questão da religiosidade neotrentina e a importância da presença dos jesuítas em Nova Trento durante 140 anos. O legado que deixaram, as marcas no povo neotrentino. Também destaco o surgimento de outras igrejas na cidade e a questão da chegada de novos migrantes”, destaca o padre Flávio Feler.
Para Juliano Martins Mazzola, a obra “é uma verdadeira viagem no tempo em que viveram os protagonistas da nossa história em terras brasileiras, seu encontro não muito agradável com os verdadeiros donos das terras, os índios da etnia xokleng, popularmente conhecidos como botocudos. Também está presente no livro a luta pela sobrevivência que nossos antepassados travaram desde o início, percorrendo um século e meio de vicissitudes, alegrias, tristezas, conquistas e derrotas”.
Prefácio – “Nova Trento – Crônica Histórica e Afetiva”, tem prefácio do jornalista Raul Sartori, editor-proprietário de “O Trentino”. A obra trata da fundação e do desenvolvimento do município que foi colônia de Brusque no século 19. Resgata a obra pioneira do professor e escritor Francisco Mazzola, que teve duas edições na década de 1920, percorre com ele os caminhos primitivos da colônia e da vila, até a emancipação político-administrativa.
Revisita, dentre outros eventos, a Revolta dos Colonos (1878), conflito armado que resultou na expulsão e repatriamento de imigrantes; a fundação e os conflitos registrados no Núcleo Colonial Esteves Junior, que tinha como sede Boiteuxburgo e hoje pertence ao município de Major Gercino; os relatos emocionantes e detalhados de viajantes que percorreram caminhos coloniais de Brusque e Nova Trento (séculos 19 e 20); a fundação da primeira indústria têxtil, a Tecelagem Neotrentina (1927-1972), implantada pela Fábrica de Tecidos Carlos Renaux; as terras devolutas e outros temas relevantes, a exemplo da história da contribuição dos jesuítas à comunidade neotrentina.
“O meu desejo é que este livro seja lido em nossas escolas pelos nossos professores e alunos e pelo público em geral. Que ele seja um farol a iluminar os caminhos de todos os descendentes daqueles bravos imigrantes que sonharam com um futuro melhor para seus filhos”, ressalta Mazzola.

Outros livros – Também estarão disponibilizados no lançamento de “Nova Trento – Crônica Histórica e Afetiva”, outros dois livros publicados pela Estrada de Papel. O primeiro é “Cartas do Barão – A Primeira História de Brusque Contada por seu Fundador” (154 páginas, R$ 70), livro de Saulo Adami e de sua irmã Karina Adami – que estreia como autora –, revisita a comunicação entre o barão de Schneeburg e os presidentes que se sucederam na administração da província de Santa Catarina (1860-1867).
O outro é “Brüderthal – Pastor Wilhelm Gottfried Lange e os Primórdios da Igreja Morávia no Brasil” (720 páginas, R$ 150), de Saulo Adami. Reconstitui a trajetória do pastor que atuou em Brusque no início do século 20, quando ingressou na Igreja Evangélica de Confissão Luterana. O livro apresenta correspondência e relatórios inéditos, originalmente escritos em quatro idiomas; mapas e fotografias de acervos da Europa e do Brasil.





