O vigário paroquial e historiador Flávio Feler divide com o também historiador, editor e jornalista Saulo Adami, a autoria do livro “Oratório São Roque – História e Devoção (1896-2026)” (foto da capa) que será lançado no próximo sábado, dia 15, quando a comunidade do bairro fará festa em homenagem a seu padroeiro. O livro, de 100 páginas e ilustrado com fotos, tem edição da editora Estrada de Papel, de Curitiba, com tiragem inicial de 200 exemplares, bancada por moradores da comunidade.

Foram cinco anos de pesquisas, envolvendo as atas do próprio oratório, crônicas de padres jesuítas, entrevistas e arquivo da moradora do bairro Celina Bottamedi, que durante 64 anos foi zeladora do oratório.
Entre diversas passagens do livro está a centenária tradição da benção do sal. Até os anos 1960 boa parte da comunidade neotrentina levava seus animais domésticos para receber a “benção do sal”, feita após a missa festiva no local. No final da mesma década o padre Luiz Petry optou por apenas benzer o sal (distribuído em saquinhos previamente acondicionado por voluntários) para que os donos dos animais os levassem para casa e o misturasse à ração ou água deles.
O livro também lembra que neste ano se completam 100 anos da imagem de gesso que está no oratório. Conforme registro de Celina Botamedi e do livro-tombo, ela substituiu uma menor. A construção do oratório, em estilo eclético, é atribuída a Atilio Muraro, um notável pedreiro que também construiu a capela de Santa Antonin e das escadarias em zigue-zague do Santuário Nossa Senhora do Bom Socorro, dentre outras.
Oratório Bom Jesus – Uma missa, neste sábado, 8, às 16 horas, no oratório do Bom Jesus de Iguape, no Baixo Salto, não só repete uma tradição de décadas, sempre no início de agosto, como marca um compromisso que se renova a cada ano: de a comunidade manter aquele símbolo maior da religiosidade da localidade. E isso há mais de um século. O vigário paroquial e também historiador, padre Flávio Feler, conta que este oratório, de 5,5 metros de comprimento por 2,5 metros de largura (foto), com uma escadaria de cimento de 20 degraus, teve sua construção iniciada em 1918 devido a uma promessa da família Cadore.
O que se destaca em seu interior é uma antiga imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, confeccionada em madeira a pedido da família Cadore, para pagar a promessa. Este pequeno templo fica na margem direita do Rio do Braço, em frente ao Oratório de Nossa Senhora Aparecida, no Baixo Salto. O casal Jeremias Minatti e Ana Till Minatti, que moram ao lado, abrem e fecham ele todos os dias, além de fazerem a limpeza e cuidar do seu interior e dos arredores.
A imagem mostra a tradicional figura do Senhor Bom Jesus: manto vermelho sobre os ombros, mãos caídas e amarradas na frente do corpo, coroa de espinhos na cabeça. Essa coroa tem algo que chama a atenção: os espinhos são compridos e de latão. Toda a imagem, de cerca de 70 cm de altura, feita à mão, rústica, inspira compaixão e devota dor. Seu criador foi o escultor Luiz Tomasi.





