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Benta Till Boso nos deixou, em várias páginas de um caderno, o valioso resultado de suas pesquisas históricas e suas lembranças pessoais sobre a comunidade do Ribeirão Bonito. O que os leitores vão ler a seguir está baseado nessas informações de D. Benta, a quem ficamos muito agradecidos.

A comunidade do Ribeirão Bonito começou em 1889, com a chegada de imigrantes italianos, poloneses, alemães e outros. As famílias pioneiras teriam recebido seus lotes em troca do compromisso de abrir uma estrada que levasse de Nova Trento para Pinheiral. O nome da comunidade lhe veio de um belo curso de água, volumoso e piscoso, que, vindo das alturas da Divisa, desce por Valsugana e atravessa toda a comunidade do Ribeirão Bonito, para desaguar mansamente no Rio do Braço, em frente à estrada geral que vai de Nova Trento a Aguti e Leoberto Leal, próximo ao sopé do Morro do Lajeado.

Sobre as peripécias da vinda das famílias pioneiras conta-se que, tendo chegado da Europa e desembarcado no porto de Itajaí, lhes teriam sido seqüestrados os documentos de todos, para eles não poderem mais voltar aos países de origem. De Itajaí teriam então vindo a pé até Nova Trento, rumando depois cada família para o seu lote, sempre enfrentando situações difíceis.

Para sustentarem suas famílias e construírem suas casas, começaram a pescar e caçar, como também, naturalmente, a plantar suas lavouras nas férteis terras da região. Para suplementar o que não tiravam da roça, faziam suas compras no comércio de Hipólito Boiteux na praça de Nova Trento, ou mesmo em Tijucas e Brusque. Em meio aos duros, mas promissores trabalhos de plantar e colher as lavouras, também sabiam tomar tempo para sadias diversões, seja pescando e caçando, seja em certos jogos, como a bocha, só que, nos inícios, as “bochas” eram simples pedras mais roliças.

O Ribeirão Bonito é uma região bastante vasta, havendo uma estrada principal que, sempre ladeando o ribeirão do mesmo nome pela margem direita, atravessa a comunidade na direção Norte-Sul, e tem como tifas laterais a bela região do Bom Retiro (sobre a qual virá artigo especial) e a Jacomina. Informa D. Benta que a comunidade chegou a ter 85 famílias, reduzidas atualmente a 40. As que saíram foram para a cidade de Nova Trento e outras cidades.

Um imigrante protagonista

Como nos informa dona Benta Till Boso em seu relato sobre a comunidade de Santa Luzia, pessoa muito importante na organização inicial da comunidade, desde 1889, foi Giovani Battista Carmesini, junto com seu pai Valentino.

Ao virem da Itália, da localidade de San Giorgio di Nogara, província de Udine, trouxeram consigo um quadro de Santa Luzia, porque a esposa de Giovani, dona Maria Gon, tinha uma doença nas vistas.

Foi na casa de Valentino que nos primeiros tempos eram feitas devoções em honra da Santa e nos finais de semana as famílias rezavam lá o terço. Algum tempo depois, José Tamanini fez um oratório de madeira para o quadro e, mais tarde, outro de material. Isso, onde hoje está a igreja de Santa Luzia. Essas devoções continuaram nos anos seguintes, nem pararam quando começaram a ser celebradas missas no Ribeirão.

A capela definitiva

Quando, em 1956, se tratava de construir a capela definitiva do Ribeirão, o Pe. José Da Poian confirmou Santa Luzia como a padroeira. A ideia do Pe. Da Poian era construir a capela no Bom Retiro, porque lá, escreve D. Benta, “as famílias tinham melhor situação de vida.”

Mas, no lugar que o padre tinha escolhido, não se conseguiu que fosse doado um terreno, apesar de várias tentativas. No fim, foi novamente o Giovani Battista, por todos chamado de Nonno Battista, que doou o terreno. A partir daí, com entusiasmo, as famílias se uniram para fazer os tijolos. Ficou encarregado de dirigir esse trabalho João Batista Bernardes.

Feitos em formas, os tijolos eram carregados por crianças e adolescentes para o pátio, a fim de secarem e depois serem queimados. Várias senhoras vinham preparar café para os trabalhadores. Outras doavam farinha e açúcar para fazer pães, doces e roscas. Dona Benta Boso escreve com beleza:

“Pra mim, foi um fato muito importante ver todas essas famílias unidas para construir a capela. Agradecemos a essas pessoas, que agora já estão todas no céu junto de Deus.”

A primeira escola

Voltando ao Nonno Battista, a ele também se deve a primeira escola do Ribeirão, Já em 1900, ele era o primeiro professor de crianças e adultos. Por 1905 ele doou um chão onde hoje está o pavilhão da igreja e começou a dar aulas também Dona Benta Dell’Agnolo de Oliveira. Pelo ano de 1940, o Battista doou outro chão, aquele em que está a atual escola (agora desativada), “porque naquela época havia 85 crianças, que eram acolhidas em duas turmas: uma, as crianças do 1º e 2º ano; outra turma, o 3º e 4º ano, com duas professoras: a mesma D. Benta de Oliveira e D. Maria Isolina dos Santos. Dona Benta Till termina:

“Esse Nono Battista tinha um coração de ouro! Quantas crianças estudaram, até hoje, nessas escolas! Que lá no céu o Nono Battista tenha sido bem recebido por Deus Pai e seus anjos. Amém.”

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