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Para escrever sobre a história de Valsugana, recebi interessantes informações do casal Simão Buttchevitz e Terezinha Kruchinski e de seu filho Nivaldo, bem como de D. Maria Dal Prá Vanini, aos quais fico muito grato.

Valsugana já foi, em anos passados, uma das comunidades mais populosas da paróquia de Nova Trento, com mais de 70 famílias. E essas famílias eram numerosas, de maneira que a escola fervilhava de crianças, e as turmas de primeira comunhão eram também numerosas, como o mostra uma histórica foto na sacristia da igreja.

Hoje, Valsugana está apenas com umas 20 famílias e estas com poucas crianças. Conta Simão Buttchevitz, nascido em 1932, que já o avô dele morava em Valsugana. Portanto, uma comunidade de longa história.

Os primeiros moradores eram de duas origens: italianos e poloneses. Italianos eram os Voltolini, Dal Prá, Orlandi, Michelli, Cadore, Tamanini e, depois, também os Vanini; poloneses eram os Buttchevitz – com diversas grafias – Rubleski, Wanat, Kruchinski, Krichinski, Rossinski. Os “Branga” também antigos em Valsugana, ao que parece, eram de origem alemã, de nome Pranger.

Imagem da região da Valsuganda localizada no Trentino, Itália, terra de origem de muitos imigrantes que fundaram a Valsugana neotrentina. Foto: www.trentinoadsl.it

A convivência entre italianos e poloneses, conta Simão, sempre foi muito boa, sem discriminação. Os costumes culturais de uns e outros se misturavam, de maneira que, por exemplo, não só os italianos, mas também os poloneses comiam a polenta e a “minestra”.

Nas famílias, falava-se e rezava-se em polonês e italiano, respectivamente. À noite, rezava-se o terço, de joelhos, apoiados às cadeiras. Aos domingos, à tarde, iam todos à igreja, para a reza do terço, puxado por alguém da diretoria ou pela professora. Entre os anos 1941 e 1961, moraram Irmãs Religiosas em Valsugana. Dirigiam a escola, davam catequese e ajudavam na pastoral. A pequena casa dessas Irmãs ficava atrás do atual pavilhão da comunidade. Eram sempre duas ou três. Simão e D. Terezinha lembram os nomes de Irmãs: Leonora, Alvina e Ana. Eram da Congregação das Catequistas Franciscanas.

Todos trabalhavam na agricultura. Plantava-se mandioca, milho, arroz, feijão, amendoim, batata doce. A zorra era muito comum. Havia o costume de as famílias se ajudarem umas às outras nas colheitas, como a da mandioca. Muitas famílias tinham engenho de farinha, açúcar e melado. Havia também duas serrarias, uma marcenaria e uma casa de comércio. A água de casa era tirada dos ribeirões, ainda muito limpos. Lá também se lavava a roupa.

A extensão geográfica, por onde se distribuíam as propriedades, era muito vasta. Havia as propriedades ao longo da estrada geral, tanto abaixo, como acima da igreja, e havia as “tifas” do Maiate, do Palhedo e do Beija-Flor. Além disso, algumas estradas, saindo da estrada geral, levavam às casas de famílias mais afastadas, como a de Júlio Vanini, dos Kruchinski ou da família Dal Prá. Algumas famílias eram bastante pobres; de suas terras, mais fracas, não tiravam boas colheitas. As diversões eram o jogo de bocha e de cartas. Pelo Natal, todos se divertiam com as brincadeiras da Bernunça.

Vida religiosa

Quanto à vida religiosa, destaca-se, em primeiro lugar, a grande, bela e bem cuidada igreja de Valsugana, verdadeiro templo: digno, sólido, com ampla sacristia, torre alta com sino de maravilhoso som; por interessante escadaria em espiral se sobe ao coro. Um belo altar, talhado em madeira, com artísticos enfeites em relevo. Nesse altar, no alto, acima do sacrário, a estátua do padroeiro Santo Estanislau. Um destaque especial merece outra bela estátua no altar: a de Nossa Senhora com o Menino Jesus. Seu Simão acha que o altar foi feito na marcenaria de Egídio Piazza, em Nova Trento, ou pelo pai de Aldemar Cipriani, do Mato Queimado. Antes da atual igreja, que foi inaugurada em 1947, havia uma menor, de madeira, no mesmo lugar, construída em 1914.

A imponente igreja do padroeiro da localidade, o santo polonês Estanislau Kostka. Foto: Carlos Pedrotti.

Antigamente, havia missa de dois em dois meses. Agora, já desde muitos anos, há missa todos os meses, como nas demais capelas da paróquia. Em anos passados, aos domingos à tarde, o povo vinha para a recitação do terço. Hoje, os ministros acolhem a comunidade para a celebração da Palavra e distribuição da santa comunhão. As pessoas também iam, antigamente, para comunidades vizinhas, onde se sabia que havia missa: Pitanga e Lajeado.

Para fazerem as “nove primeiras sextas-feiras”, caminhavam até o Ribeirão Bonito (6 km), e mesmo a Pinheiral (12 km de longa subida). A grande festa de cada ano é a de Corpus Christi, que reúne muitas pessoas. Para ela vêm muitos de outras cidades, que tinham se mudado de Valsugana. Antigamente, também era grande a festa do padroeiro Santo Estanislau, preparada com concorrida e festiva novena. Diz Nivaldo Buttchevitz que, antigamente, nas festas, não raro havia discussões e brigas. E que naqueles tempos se bebia muito.

Encerrando: Valsugana tem uma longa e heróica história. Localizada a grande altitude, sempre tinha sido problemático chegar lá, por causa da precariedade da estrada, serra acima, o que certamente explica por que tantos moradores têm saído de lá para morar e trabalhar em outras cidades, como Brusque e Joinville. Energia elétrica demorou até chegar a Valsugana. O nome da comunidade vem, com certeza, do lugar de origem dos primeiros imigrantes italianos, cuja pátria era o “Borgo Valsugana”, no interior da Província de Trento. E, por sua vez, o padroeiro Santo Estanislau Kostka, polonês, falecido santamente em Roma aos 18 anos, como noviço da Companhia de Jesus, foi certamente escolhido em atenção aos imigrantes que vieram da longínqua Polônia.

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