Nova Trento agora tem um serviço regular de recolhimento de óleo de fritura, que é tido, em todos os lugares, como um dos maiores e invisíveis agentes poluidores na natureza. Quem passou a fazê-lo é a microempresa neotrentina Reutilize Oil, comandada pelo contabilista Valter Batista, 30 anos, um gaúcho que mora aqui há 11 anos.

Embora em funcionamento há poucos meses, a empresa já recolhe, em Nova Trento e São João Batista, uma média mensal de mil litros, que Valter remete para uma firma especializada de Brusque, que o recicla e o transforma, com a adição de outros agentes, em biodiesel, utilizado por máquinas e veículos, já que é praticamente igual ao conhecido diesel, com a vantagem de não ser poluente.

O projeto do microempresário é avançar no seu ainda pequeno negócio: não só intensificar a coleta do óleo de fritura como fazer em Nova Trento todo o processo de filtragem e aqui, também, assim que for possível, produzir o biodiesel através de uma microusina.

Inovador

Formando em Ciências Contábeis, Valter Batista trabalhou em inúmeras empresas da região, mas sempre teve o sonho de ter seu próprio negócio, desde que fosse “algo novo e diferente”. E quem o inspirou foi seu sogro, de São João Batista, que faz reciclagem. Foi ali que constatou que o óleo de fritura era todo desprezado e, inevitavelmente, depositado em qualquer lugar, para “sumir dos olhos”.

Assim, começou a pesquisar e estudar as possibilidades de reutilização, sabendo que apenas um litro pode comprometer a qualidade de no mínimo 125 mil litros de água e que ao penetrar no lençol freático, o caminho por onde passa fica estéril, pelo acúmulo de suas partículas, que não se decompõem nunca. Esse também é o efeito de sabões que para sua composição usam tal óleo.

Foi visitando dezenas de estabelecimentos que imaginava utilizar muito óleo de fritura, como restaurantes, pizzarias, lanchonetes, bares e empresas que Valter foi explicando, pacientemente, como um apaixonado ativista ambiental, o quanto a natureza sofre com a agressão que o produto provoca e ao mesmo motivando todos pela sua causa.

Em todos passou a deixar um galão com 20 litros para receber o óleo descartado nos fogões, tanto vegetal como de gordura animal, comprometendo-se (e o faz com disciplina total) a fazer a coleta a cada 30 dias. Tudo é levado para um depósito na rua Maria Galiani, 3, no bairro Mato Queimado. Quando tem um volume maior, armazenado em galões com mais capacidade, leva para uma empresa especializada de Brusque, que o transforma em biodiesel. Nas várias filtragens, as impurezas de frituras viram o que se chamada de borra, utilizada como ração animal.

Projetos futuros

 O projeto de Valter é, assim que consolidar bem a estrutura de recolhimento do óleo de fritura, também fazer a reciclagem e filtragem em Nova Trento, com uma pequena usina de produção de biodiesel. Sua intenção, assim que chegar a tal condição, é vender todo o biodiesel para as prefeituras da região e, quem sabe, para postos de abastecimento de combustíveis.

Mas até chegar lá sua prioridade é a logística de coleta.

Com a ajuda da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente está escolhendo pontos de descarte – onde as pessoas podem levar seu óleo de fritura – em todos os bairros e no centro de Nova Trento. Antes fará uma campanha de como toda a população pode ajudar e participar neste processo.

Outra intenção é fazer uma parceria com a empresa que recolhe lixo reciclado (Wanatt) para que em certas datas possa coletar também as pequenas quantidades de óleo de fritura descartado nas residências  neotrentinas. Sabe-se que em muitas delas, já com maior consciência ambiental, virou um pesadelo buscar um destino para o produto. Sem alternativa, praticamente todas o lançam na natureza. E assim que foram levantadas as restrições da atual pandemia, Valter quer também envolver todas as escolas do município em um projeto de cunho ambiental, social e educativo.

Com todas estas ações Valter acredita que estará dando sua contribuição para a natureza, evitando que ela continue recebendo um dos agentes poluidores mais nocivos. A primeira a agradecer será, seguramente, a natureza.

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