Diariamente, o Santuário Santa Paulina recebe visitantes de todas as procedências. Alguns por curiosidade ou passeio, e outros com um propósito mais comprometido: pagar graças recebidas, por diferentes motivos. Ter conseguido um emprego há muito almejado, uma casa nova, a aprovação em um vestibular muito concorrido, são alguns. Porém, a grande maioria tem algo a ver com saúde e à sua própria sobrevivência.
Um dos principais motivos envolve mães que vem agraceder a santa por terem conseguido ter filhos, ou que para tê-los enfrentaram risco de vida. Diante da gravidade pediram a intercessão de Santa Paulina.
A direção do santuário estima que sejam milhares, de todas as idades. Observações do santuário indicam que depois que Amábile Wisentainer tornou-se santa, em 2002, milhares de pais passaram a nominar filhos como Paulina ou Amábile, em sua homenagem. Outras o fizeram como agradecimento por graça recebida ou até milagre.
O primeiro Encontro das Paulinas e Amábiles no Santuário Santa Paulina foi agendado para o próximo dia 16. A programação inicia às 9 horas com acolhida no casebre, espaço simbólico que remete às origens simples da santa. Às 10 horas será celebrada missa e ao meio-dia acontece um almoço para promover a convivência das Amábiles e Paulinas, fortalecendo laços e histórias em comum. O dia encerra às 13h30 com visita guiada pelo santuário. Com o evento, que se realiza pela primeira vez, o Santuário Santa Paulina espera que seja um dia de espiritualidade, acolhida, partilha e conexão entre gerações.
Amábile foi o nome de batismo de Santa Paulina, que mais tarde assumiu o nome de Paulina ao fundar a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Foi na certeza de que as mulheres que levam os dois nomes possuem uma ligação especial com ela que o santuário decidiu promover o inédito evento, para reunir Amabiles e Paulinas de todas as idades – desde bebês até aquelas com mais experiência de vida – todas unidas por esse nome e por essa herança de fé.
Mãe e filha poderiam morrer, vaticinou o médico
Talvez se possa contar em centenas as Amabiles em Nova Trento, principalmente depois da canonização de Santa Paulina, há 24 anos. As Paulinas são em menor número, mas também, na grande maioria dos casos, seus nomes representam uma homenagem à santa dada por seus pais.
Juliana Amabile Caturani (foto) auxiliar administrativa da CDL, filha de Tereza Ana, agricultora, e de Valdemiro, professor, já falecido, recebeu o nome por conta de uma promessa da mãe. Quando sua mãe estava grávida dela, após uma gestação muito difícil até então, foi informada que a criança deveria nascer no oitavo mês ,e mesmo assim com muitos riscos.
Diante do quadro delicado no pré-parto, numa das consultas na maternidade do Hospital Imaculada Conceição, o médico que atendia Tereza (Dr. Tomaz) foi obrigado a perguntar à mãe: se a situação aparecesse diante dele, quem deveria permanecer com vida, ela ou a criança? Tereza escolheu a segunda opção, mas fez a promessa a Santa Paulina de se a menina nascesse com vida receberia seu nome.
E tudo transcorreu bem. Juliana Amabile adora e se orgulha do nome, visita o Santuário Santa Paulina algumas vezes no ano e há muitos anos carrega consigo uma medalha de Amabile Wisentainer.
Um santinho sobre a barriga e tudo deu certo
Paulina Valle Zandonai, aposentada, casada, com três filhos e quatro netos, ainda agradece pela sua vida graças a Santa Paulina. A mãe dela, Maria Poli Valle, estava em trabalho de parto e, de repente, parou de sentir dores. A parteira, Dona Cotinha, ficou alarmada e ordenou a todas as pessoas que estavam na casa que rezassem porque o caso pareceu muito grave.
A então avó de Paulina, Ângela, pegou um santinho de Santa Paulina – que naquela época ainda não era santa, mas tinha veneração de muitos neotrentinos – e o colocou sobre a barriga de Maria, prometendo que se a criança nascesse com vida receberia o nome Paulina se fosse mulher e de Paulino se fosse homem.
Como o caso parecia difícil, a experiente parteira pediu que todas as lamparinas da casa fossem acesas e que todos rezassem com todo fervor possível. Quando a oração terminou todos ouviram o choro da criança, que nasceu com saúde perfeita. A ligação de Paulina com a santa permanece muito próxima desde então. Quando ela fez a primeira comunhão, sua mãe a vestiu como Santa Paulina.
No dia da canonização de Santa Paulina, em 19 de maio de 1992, Paulina comprou uma fita da santa no santuário de Nova Trento e no mesmo dia a deixou debaixo do travesseiro da UTI do hospital SOS Cárdio, em Florianópolis, onde estava internada, em coma, sua irmã, Neiva. Sabia que parecia impossível, mas pediu para que ela voltasse a viver. Morreu naquele dia. “Santa Paulina resolveu levá-la junto a si”, pensou Paulina, conformada.





