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O “Jornal Nacional”, da Rede Globo, o telejornal de maior audiência da TV brasileira, deverá veicular na primeira semana de outubro – o dia ainda não está escolhido – uma reportagem que foi gravada no último dia 31 de agosto, em São Valentim, no interior de Nova Trento.

O foco da reportagem, conduzida pelo repórter Marcelo Canelas, é um engenho de farinha que existe no lugar desde  o início da colonização , sempre conduzido pela família Eccher.

O interesse pelo assunto deve-se à várias particularidades, dentre elas ser o único engenho de todo o interior neotrentino, ter suas origens ainda no século passado e produzir uma farinha de mandioca totalmente orgânica, sem uso de agrotóxicos ou defensivos agrícolas.

O interesse pelo engenho se deu por acaso. Uma equipe do telejornal  deslocou-se de São Paulo para Santa Catarina com a intenção de fazer uma reportagem sobre a atual crise de produção de leite, na região serrana catarinense.

Quando estava em Florianópolis, o repórter Marcelo Canelas foi informado pelo engenheiro de alimentos Henry Peticov, que trabalha na Epagri e já esteve em Nova Trento diversas vezes, da existência do engenho de farinha e suas características especiais.

Imediatamente a equipe se deslocou para Nova Trento e ficou das 10 horas da manhã até o final da tarde junto à família Eccher, em São Valentim, com quem os jornalistas almoçaram. Durante mais de seis horas fez-se questão de gravar todo o processo de produção da farinha.

Os dois irmãos Eccher com o pai, durante a entrevista. Foto: Divulgação.

Herança 

Ediano Eccher, que junto ao irmão Edvan e os pais toca o empreendimento, conta que o engenho existe desde seus avós e sempre funcionou no mesmo lugar, junto ao rio Alto Braço, até dois anos atrás, aproveitando as águas para movimentar suas “máquinas”.

Tudo seguia tranquilamente até 2015, quando Ediano e o irmão foram convidados pela Epagri local para fazer um curso de empreendedorismo, durante oito meses, frequentando uma semana por mês, em Florianópolis.

Na volta trataram de mudar a localização do engenho, já que onde estava corria risco de ser atingido por enchentes, fazendo algumas mudanças no novo local, entre elas agregar valor ao  ótimo produto que fazem, agora usando embalagem personalizada com sua marca e contar nela, brevemente, a história e as principais características da farinha.

Produção

O pequeno engenho produz cerca de 500 quilos de farinha por semana, totalmente comercializada e com mercado certo, já que muitos consumidores a preferem, mesmo custando um pouco mais, por saberem de sua procedência, pureza e qualidade. Toda a matéria prima – a mandioca – é cultivada pela própria família em suas montanhosas terras. A produção média anual é de 200 toneladas.

O engenho é o único que ainda resta na parte alta do município. Os Eccher contam que houve época em que o interior neotrentino, do Baixo Salto até além da sede do distrito de Aguti, havia pelo menos 40 engenhos, muitos deles com produção conjunta de açúcar mascavo.  Foi poder registrar este último engenho sobrevivente e o que ele tem de puro e original que atraiu a atenção da maior  emissora de TV do Brasil.

Equipe almoçou em São Valentim e pediu comida caseira. Foto: Divulgação.

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